13/01/2017
“Casal” de lésbicas serão pastoras de igreja batista histórica
Um casal de lésbicas irá assumir a liderança da Igreja Batista Calvário, uma igreja histórica de 155 anos localizada em Washington, nos Estados Unidos.
Maria Swearingen e Sally Sarratt foram ordenadas pastoras. (Foto: Calvary Baptist Church)
Sally Sarratt e Maria Swearingen, que são casadas, foram ordenadas como ministras em 2015. De acordo com um anúncio feito no último domingo (8) pela igreja, elas vão assumir sua nova função no dia 26 de fevereiro.
“Nós encontramos a Calvário e nos apaixonamos por essa igreja e por seu compromisso de ser uma voz de justiça e compaixão para aqueles que encontram a integridade de sua humanidade, que é desconsiderada e difamada”, disseram Sarratt e Swearingden.
De acordo com um texto publicado pela Batista Calvário, a igreja sempre teve uma “perspectiva progressista”. “A congregação está comprometida em ser uma igreja urbana, onde a justiça social realmente importa e todos são bem-vindos para a comunhão cristã. A Calvário se beneficia da liderança das mulheres em todos os níveis de vida da igreja”.
A presidente do Comitê de Seleção Ministerial da Calvário, Carol Blythe, informou que o conselho ficou “impressionado” com a profunda fé e “compromisso” das novas pastoras em fazer parte da comunidade.
“Ficamos impressionados com o fato de seus dons, talentos e experiências corresponderem às prioridades do nosso ministério. Estamos entusiasmados com o próximo pastorado e com a versatilidade que o modelo de co-pastoras proporcionará à nossa congregação”, disse ela.
Posicionamento das Igrejas Batistas no Brasil
A Igreja Batista Calvário deixou de ter ligações com a Convenção Batista do Sul — o maior grupo protestante dos EUA — desde 2012, devido a discordâncias sobre questões relacionadas ao casamento do mesmo sexo.
No Brasil, a Convenção Batista Brasileira (CBB) atua de maneira independente em relação às igrejas americanas, e possui um posicionamento claro sobre o tema da homossexualidade.
De acordo com uma declaração formal, a CBB garante que os batistas não são intolerantes, pois devem aceitar todas as pessoas que se convertem ao Evangelho, sem distinção. No entanto, sua diretoria entende também que “os ensinos bíblicos são suficientemente explícitos para indicar que as pessoas, depois de convertidas, devem deixar práticas contrárias aos princípios éticos bíblicos e cristãos”.
“Nos reservamos o direito constitucional (liberdade religiosa) de discordar da prática homossexual, por entender que é biblicamente pecaminosa e viola o padrão original de Deus para os seres humanos. O Antigo e o Novo Testamento desaprovam severamente práticas homossexuais (Lv 18:22; 20:13; Is 3:9; Rm 1:24-27; 1 Co 6:9-10; 1 Tm 1:9-10). Consequentemente, não aprovamos tais práticas”, diz um trecho da declaração.
Igrejas que aceitam como pastores homossexuais ativos não são novidade nos Estados Unidos e na Europa. Já existem casos no Brasil também, contudo Sally Sarratt e Maria Swearingen não fundaram sua própria igreja “inclusiva” como geralmente é o caso. Elas foram escolhidas como pastoras da Calvary Baptist Church, uma igreja histórica de Washington, fundada há 155 anos.
Oficialmente, passarão a ser co-pastoras e responderão pela congregação apenas no final de fevereiro, mas o anúncio gerou amplo debate entre a comunidade evangélica americana. Sally e Maria já estavam casadas quando foram ordenadas, em 2015.
A Calvary Church explica que sempre teve uma “visão progressiva”, pois começou reunindo um pequeno grupo de abolicionistas quando a escravidão era a norma. Em um comunicado, ressaltou que sempre “se beneficiou da liderança das mulheres em todos os níveis da vida da Igreja”.
A presidente do comitê que selecionou as duas para o cargo, Carol Blythe, disse: “Fomos surpreendidos pela grande fé e compromisso que elas têm de ser parte de uma comunidade evangélica. Ficamos impressionados como os dons, talentos e experiência das duas correspondeu às nossas prioridades”.
Durante a maior parte de sua história, a igreja fez parte da Convenção Batista do Sul, maior denominação evangélica americana. Contudo, por defender o casamento de pessoas do mesmo sexo, desligou-se em 2012.